O debate sobre o financiamento da cultura popular no Rio de Janeiro ganhou novos capítulos após declarações do deputado estadual Renan Jordy, que criticou o edital voltado ao fomento das quadrilhas juninas no estado.
As falas repercutiram entre representantes do movimento junino, que apontam desconhecimento sobre a dimensão cultural, social e econômica das quadrilhas.
A Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro conseguiu, por meio de edital público, destinar R$ 10,5 milhões para a cultura junina, um valor considerado recorde. O recurso deverá contemplar diversos grupos que atuam na manutenção das tradições juninas, garantindo a realização de atividades culturais e a geração de renda para milhares de profissionais envolvidos.
O movimento junino é reconhecido por mobilizar uma ampla cadeia produtiva, envolvendo brincantes, costureiras, músicos, cenógrafos, coreógrafos e outros trabalhadores. Além disso, desempenha papel importante na inclusão social, especialmente entre jovens.
Apesar disso, o parlamentar criticou o investimento. Em contrapartida, dados públicos mostram que, ao longo de 2025, o próprio deputado utilizou R$ 1.567.370,96 em verba de gabinete, valor correspondente a cerca de 98% do total disponível no ano, com média mensal aproximada de R$ 130 mil para manutenção da estrutura do mandato.



Diante da repercussão, representantes de entidades e grupos juninos estiveram presentes na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro para cobrar respeito e esclarecimentos sobre as declarações.
Durante o encontro, houve diálogo com integrantes do legislativo, e foi sinalizado que a pauta será levada para discussão junto ao parlamentar, com o objetivo de ampliar o entendimento sobre o impacto do movimento junino no estado.
A expectativa agora é que o diálogo avance e contribua para uma compreensão mais ampla sobre o papel das quadrilhas juninas, evitando interpretações que possam deslegitimar uma manifestação cultural historicamente consolidada no país.