Assembleia no Vale do Jaguaribe marca um momento histórico de descentralização e busca por justiça técnica no regulamento 2026.
O movimento junino cearense atingiu um patamar de investimento e dedicação que exige um regulamento à altura. Com ensaios que duram meses e produções de alto custo, a gestão dos festivais precisa de mecanismos que garantam justiça a cada brincante. No próximo sábado, no Vale do Jaguaribe, apresentaremos propostas que visam o bem coletivo e a modernização da FEQUAJUCE.

1. Participação na Escolha e Valorização da Experiência (Art. 21)
A Proposta: Publicação anual da lista de avaliadores aptos e a inclusão das quadrilhas no processo de consulta e escolha para grandes festivais, com exigência de 5 anos de experiência mínima.
O Argumento: A escolha dos avaliadores não deve ser um processo fechado. Quando as quadrilhas participam, cria-se uma relação de confiança e coresponsabilidade. Além disso, festivais de grande porte exigem maturidade técnica. Um jurado com 5 anos de estrada tem o olhar apurado para distinguir a inovação do erro, protegendo o investimento artístico dos grupos e garantindo que o julgamento seja feito por quem realmente conhece a fundo a evolução do movimento.

2. A Transparência como Direito Pedagógico (Art. 55, §3º)
A Proposta: Revogação da proibição de divulgação das planilhas e garantia de acesso público e integral às notas e justificativas após os eventos.
O Argumento: A transparência é o antídoto contra a dúvida e os rumores. O argumento de que a LGPD impede a divulgação é um equívoco jurídico: avaliações de concursos públicos e federados são atos de interesse coletivo. Ocultar resultados sob o pretexto de “evitar vergonha” é uma forma de censura que bloqueia o crescimento. Quando a planilha é aberta, ela se torna material pedagógico. O coreógrafo, o figurinista e o marcador aprendem com o feedback técnico. Grupos que entendem suas falhas hoje são os grandes campeões de amanhã.

3. Justiça Técnica: Especialização e Rotatividade (Cap. VIII e IX)
A Proposta: Substituir o modelo atual (“todos julgam tudo”) por uma divisão de quesitos em blocos especializados, com sistema de rotatividade entre os jurados.
O Argumento: É humanamente impossível para um único jurado observar com precisão oito quesitos e dezenas de subquesitos em apenas 30 minutos. Ao especializar o olhar (ex: um bloco focado apenas em Coreografia/Evolução e outro em Figurino/Temática), aumentamos a qualidade técnica da nota. O jurado focado enxerga o detalhe que a quadrilha lutou para construir. Com o rodízio, garantimos que a média final seja um reflexo fiel e equilibrado do trabalho na quadra, eliminando o “achismo” e as notas dadas por mera impressão geral.
Conclusão: Um Passo Necessário para o Coletivo
Estas mudanças não retiram a autonomia da Federação; elas a fortalecem. Um sistema transparente e técnico atrai mais respeito, mais patrocínios e, principalmente, garante que o resultado final seja decidido exclusivamente pelo talento e esforço dos grupos.
“A transparência não é uma exposição da fraqueza, mas o alicerce da nossa evolução. Quem tem compromisso com o futuro do São João não teme a clareza, pois onde o sol da ética bate, as sombras da dúvida desaparecem.”
Ricardo Costa